APRESENTAÇÃO

Bem vindos todos vocês que se interessam pela Educação, seja ela inicial, continuada, presencial ou mediada pelas tecnologias digitais da informação e da comunicação (TDICs). Este blog tem como objetivo refletir sobre as formas de ensinar e aprender no mundo contemporâneo e o modo pelo qual as TDICs modificam os paradigmas tradicionais de nossa estrutura educacional.
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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Ressignificando a interdisciplinaridade para uma educação de qualidade em EaD

Cicinato A Carmo



A utilização das tecnologias internéticas não garante à educação online um status de inovação. Para tanto, é importante que se rompa com os paradigmas da tradição educacional e com a unidirecionalidade das mídias de massa. Segundo as autoras do artigo Articulação de saberes na EAD: por uma rede interdisciplinar e interativa de conhecimentos, Okada & Santos (2003), é preciso “modificar o processo de comunicação dos sujeitos envolvidos e articular os saberes multireferenciais” dos diversos profissionais responsáveis pela administração, programação, desenho instrucional e tutoria na educação a distância: web designers, programadores, conteudistas, designers instrucionais, tutores e gestores. Interação e interdisciplinaridade são as palavras de ordem.


A burocratização da educação online reforça a distinção entre o fazer e o saber e reproduz o atual sistema de ordem fabril, no qual cada sujeito exerce funções específicas sem que se inter-relacionem: o web designer cria a arte final do conteúdo, explorando as potencialidades da linguagem digital; o conteudista seleciona textos e elabora as atividades do curso; o programador desenvolve o ambiente virtual de aprendizagem. Por extensão, o aluno consome o conteúdo de ensino. Esta ordem burocrática impossibilita o desenvolvimento de uma postura comunicacional interativa, transforma o conteúdo educacional em pacotes fechados prontos para o consumo, banaliza a educação a distância e subutiliza as tecnologias disponíveis.


            Para que a educação online possa superar esse processo de burocratização e se organizar como uma prática produtiva e integrada, serão necessários investimentos na formação de novas competências comunicacionais, curriculares e pedagógicas e o “envolvimento interdisciplinar de toda uma equipe de produção que se dá para além da relação professor, aluno e conteúdos” (p. 3), de modo que contribuam para a construção coletiva do conhecimento e promovam ressignificações epistemológicas. Uma mudança qualitativa nesta modalidade educacional exigirá que professores e alunos tornem-se coautores do processo de ensino e aprendizagem. Ela também exigirá a elaboração de um currículo em rede que abra as fronteiras dos espaços que definem quem administra, quem produz, quem ensina e quem aprende e os tornem permeáveis aos diversos saberes constituídos. Saber e fazer democratizam-se neste novo cenário. Em um contínuo processo de comunicação interativa e interdisciplinar, todos os sujeitos tornam-se autores no ciberespaço, uma vez que o conteúdo não é algo pronto, fechado. Ele é manipulável, interligado e virtualmente modificável, respondendo às solicitações dos seus usuários.


            O desafio atual da educação online reside justamente na realização efetiva de uma prática interativa e interdisciplinar que possibilite o desenvolvimento individual e coletivo dos sujeitos. Conforme apontado por Okada & Santos, novas dinâmicas curriculares que promovam a colaboração, a reflexão crítica de informação compartilhada, a transformação com o outro, a desconstrução e reconstrução de novos conhecimentos precisam ser desenvolvidas para que uma mudança qualitativa na educação online efetivamente ocorra.

Referência:
OKADA, Alexandra Lilavati Pereira & SANTOS, Edméa Oliveira. Articulação de saberes na EAD: por uma rede interdisciplinar e interativa de conhecimentos.  In: Anais. Seminário Nacional Abed de Educação a Distância. 1. Belo Horizonte. Disponível em: . Acessado em 08 de julho de 2014.


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terça-feira, 11 de março de 2014


Confira a programação preliminar do X Seminário Nacional ABED de EaD, cujo tema é Caminhos para Consolidação da EaD. Esta programação ainda está sujeita a alterações, conforme informado pela organização do evento. O seminário acontecerá nos dias 24 a 26 de abril de 2014 no Auditório Casa do Ator, em São Paulo. 




Para acessar a programação, clique na imagem abaixo: 

sábado, 28 de setembro de 2013

segunda-feira, 9 de setembro de 2013



As NTICs e o espaço escolar


As novas tecnologias da informação e comunicação (NTICs), aliadas à Web 2.0, provocam mudanças nas formas pelas quais interagimos com o conhecimento. A relação unidirecional produtor-receptor de saber modifica-se. No atual contexto histórico, o pólo de emissão é liberado e todos tornam-se potencialmente produtores de conhecimento, interagindo e interferindo de modo pluridirecional, hipertextual e multimída como jamais visto na história da humanidade. 

A professora e pesquisadora Edméa Santos, no artigo Educação online para além da EAD: um fenômeno da cibercultura (2010: 33), afirma que "as tecnologias digitais de informação e comunicação se caracterizam por uma nova forma de materialização" da informação, permitindo a digitalização de todo o material atômico até então produzido pelos grupos sociais: sons, imagens, textos, gráficos etc. A digitalização deste material, a integração de diversas mídias em uma interface informática e a sua interconexão mundial via redes de computadores criam uma espaço cibernético de interação caracterizado pelo movimento do faça você mesmo. Este ciberespaço, ainda segundo SANTOS (2010: 37), "é o hipertexto mundial interativo, onde cada um pode adicionar, retirar e modificar partes dessa estrutura telemática, como um texto vivo, um organismo auto-organizante", marcado pela circulação de ideias pluralistas e pela inexistência de um controle centralizado. 

A crescente popularização dos computadores portáteis, câmeras digitais, tocadores de mídia, smartphones, tablets, da Internet e da nova cultura do faça você mesmo não passaria despercebida pelas novas gerações ou mesmo pela Escola. Vistos como objetos de consumo, ou ainda de necessidade básica, estas inovações tecnológicas 'invadiram' o espaço escolar e vem modificando os papéis do professor e do aluno. Governos e instituições privadas criam programas que incorporam as NTICs no processo de ensino-aprendizagem, um número maior de professores usa estas tecnologias em suas práticas pedagógicas e uma quantidade significativa de alunos carrega seus celulares e tablets para a sala de aula.

A presença das NTICs na sala de aula, incorporadas a uma prática pedagógica "problematizadora, desafiadora, agregadora de indivíduos pensantes que constroem conhecimento colaborativamente e de maneira crítica" (LEITE: 73), torna-se um importante agente de mudanças no comportamento discente. Neste cenário, o aluno é estimulado a ter uma participação ativa no processo de aprendizagem; ele interage diretamente com o objeto de conhecimento e com todos os atores envolvidos nesta interação; ele cria, modifica e ressignifica conhecimentos por meio de uma relação dialógica. 
A prática pedagógica na contemporaneidade não pode negligenciar o fato de que estas novas tecnologias fazem parte integrada da vida cotidiana dos alunos e de que eles transitam neste novo espaço confortavelmente, produzindo uma cultura cibernética que afeta diretamente o modo como se relacionam com a informação e com o conhecimento. A escola deve apostar em práticas conectadas com o local e com o mundo que façam com que os alunos vivenciem situações em que sua autonomia e criatividade sejam exigidas, rompendo com o modelo tradicional de ensino.  


Referências:

LEITE, L. S. Mídia e a perspectiva da tecnologia educacional no processo pedagógico contemporâneo. In: FREIRE, W. (org.). Tecnologia e educação: as mídias na prática docente. 2 ed. Rio de Janeiro: Wak Ed., 2011.

SANTOS, E. Educação online para além da EAD. In: SILVA, M et alli. Educação online: cenário, formação e questões didático-metodológicos. Rio de Janeiro: Wak Ed., 2010.

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terça-feira, 3 de setembro de 2013

EAD: algumas considerações

O ato sistematizado de ensinar sempre envolveu algum tipo de tecnologia, desde os hieróglifos do Egito antigo até os bits e bytes da era digital. Mais recentemente na história, conforme exposto por Ivônio Barros no artigo As inovações tecnológicas a serviço da educação (2003), “desde fins do século XIX, as grandes invenções ou inovações tecnológicas do mundo das comunicações têm sido associadas ao seu potencial de uso pela educação”. De certo modo, tal associação pode ser observada com o advento do rádio, da televisão, do computador e da Internet, que foram largamente incorporados como tecnologias de apoio à Educação por Governos e instituições privadas

Desde o início do século XX, diversos programas educacionais foram desenhados incorporando o rádio, por exemplo, como meio difusor do conhecimento. No ano de 1930, a Columbian Broadcasting System (CBS) junto com a National Broadcasting Corporation (NBC), nos Estados Unidos, desenvolveram programas educacionais nas áreas de ciências e estudos sociais para uso dos alunos em sua formação escolar. Em 1937, é criado na Índia o School Broadcast Project com o objetivo de alcançar alunos do ensino fundamental. No Brasil, o Projeto Minerva (1970) é criado pelo governo militar utilizando o rádio para “atingir o adulto onde ele estivesse, ajudá-lo a desenvolver suas habilidades e transformá-lo em cidadão participativo da sociedade” (PEREIRA: 2010, p. 29).

Assim como o rádio, a televisão, os computadores e a Internet também são utilizados como tecnologias de apoio à educação em diversos programas públicos e privados no Brasil e no mundo. É certo que algumas mudanças ainda precisam ocorrer para que as Escolas façam uso mais apropriado e enriquecedor destas tecnologias. É preciso olhar o aluno como sujeito ativo no processo de aprendizagem, capaz de pensar criticamente e com criatividade; flexibilizar o currículo para as exigências do século XXI e adotar formas de avaliação mais interativas e holísticas. Caso esta mudança de paradigma não ocorra, estas ferramentas serão apenas mais um recurso, dentre muitos outros, a ser utilizado pelo sistema tradicional de ensino e nenhum ganho significativo ocorrerá. 

Referências:
HAWORTH, M. & HOPKINS, S. On the air: Educational radio, its history and effect on literacy and educational technology. Disponível em: http://blogs.ubc.ca/etec540sept09/2009/10/28/on-the-air-educational-radio-its-history-and-effect-on-literacy-and-educational-technology-by-michael-haworth-stephanie-hopkins/. Acessado em 27 de agosto de 2013.

KUMAR, A., SHARMA, R. C. & VYAS, R. V. Educational Radio in India. Disponível em:
http://tojde.anadolu.edu.tr/tojde7/articles/educationalradio.htm. Acessado em 27 de agosto de 2013.

PEREIRA, N. S. Tecnologias na Educação. Brasília, POSEAD, 2010.

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